terça-feira, 26 de outubro de 2010

Exaltação a Dois Rios, crônica de Elane Rangel


EXALTAÇÃO A DOIS RIOS

Crônica de *Elane Rangel
28/09/2010

Existem lugares que para uns nada representam e são de grande relevância para outros. Refiro-me a Dois Rios, um simples e humilde lugarejo encravado no coração da Ilha Grande.

Alguém poderia exclamar em tom interrogativo: “O que há de tão bonito e importante nesse lugarejo para ser tão exaltado? Não vejo nada mais do que mar e montanhas e poucas casas em modestas ruas.” Essa é uma reação quase unânime dos que visitam Dois Rios pela primeira vez. Chegam na esperança de ver o paraíso e o que veem é o retrato da desolação, na triste visão do abandono. Dois Rios, para quem lá viveu em liberdade, é mais profunda do que se possa imaginar. É vista com os olhos da alma daqueles que têm arraigadas em si a magia de seus encantos e que sabem respeitá-la e amá-la como deve ser.

Eu, particularmente, vivi momentos indescritíveis naquela ilha, com fatos que ficaram marcados para sempre na minha lembrança, coisas simples, porém, de indizíveis emoções. Um exemplo foi quando numa dessas noites mágicas daquele lugar, fui ter com meu irmão, Luiz Rangel, na usina elétrica, onde na ocasião ele trabalhava.

Seguia eu pela estradinha que dava acesso à usina, paradoxalmente escura, em cujas margens estendia-se uma densa vegetação de gramíneas entremeadas de pequenos arbustos, em meio a poças e alagados. Subitamente, vi-me diante de um quadro inimaginável. Centenas, talvez milhares de vozes silvestres elevavam-se dali, num coro uníssono, que parecia mais ser divino do que terreno. Eram as vozes estrídulas de uma grande variedade de insetos, répteis, anfíbios, que numa sinfonia enlouquecedora, entoavam o “Canto da Natureza”. Dezenas de vaga-lumes cirandavam no espaço, como se constelações de estrelas bailassem no ar. O ambiente era quase divino. Tudo se harmonizava perfeitamente. Fiquei, por momentos, semi-paralizado, envolvido naquela onda mágica de sons, que extasiavam a minha alma, como se algo sublime demais estivesse acontecendo. Eu não conseguia desabsorver-me daquele quadro, até que ao recobrar totalmente a consciência da realidade, exclamei do interior da minha alma: Quão grande és Tu, Senhor! Quão grande és Tu!  Por isso e muito mais, Dois Rios não tem só belezas, tem encantos!

Dois Rios não é para ser vista; é para ser sentida! Não é para ser visitada; é para ser vivida! Não é para ser discutida; é para ser amada!

* Elane Rangel, amigo de infância e colaborador do nosso Blog.


           Ilustra a crônica uma foto do amigo Juarez de Alagão
  



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