Alvo são casas da Vila do Abraão, que serviam a funcionários de presídio
"A Vila do Abraão,
formada em sua maioria por parentes de funcionários da unidade prisional de Ilha
Grande (que funcionou de 1894 a 1994), é uma comunidade que perpetua memórias
de quem conviveu com personagens lendários. Apesar da naturalidade com que
lidam com essas histórias policiais, as 130 famílias da vila dizem viver hoje
temerosos, num clima que definem como de "terrorismo".
O motivo da tensão são
os pedidos de desapropriação que os moradores vêm recebendo, desde o último dia
8, de funcionários da Subsecretaria de Patrimônio Imobiliário, órgão
subordinado à secretaria estadual de Planejamento e Gestão. Segundo a
subsecretaria, as famílias têm até 60 dias para deixar as casas, construídas,
no passado, pela União, para abrigar policiais, inspetores e outros
funcionários do presídio, e que, até hoje, não foram regularizadas.
Morador terá que pagar
aluguel de R$ 4.755
O inspetor penitenciário
Marcelo Augusto Vargas, de 46 anos, nasceu na vila e herdou a casa do pai,
policial da penitenciária. Agora, Marcelo diz que precisará pagar aluguel de R$
4.755:
— Alegam que estamos
inadimplentes há dez anos, mas lutamos pela regularização dessas casas junto ao
estado. Somos filhos da ilha e estamos estarrecidos com esse terrorismo que
estão fazendo conosco.
Numa reunião com
representantes da secretaria, os moradores foram informados de que a ordem de
desapropriação vai ao encontro de interesses do Instituto Estadual do Ambiente
(Inea), que pretenderia instalar uma unidade de conservação na região. Por
nota, o Inea explica que, após a criação do Parque Estadual de Ilha Grande, em
1971, a vila ficou, equivocadamente, mantida dentro dos limites do parque,
mesmo após a desativação da colônia penal. Desde então, são poucas as casas que
cumprem função de imóvel funcional.
Patrícia Figueiredo de
Castro, gerente de Unidades de Conservação do Inea e autora da solicitação de
cessão de imóveis, diz que, ao desativar a penitenciária, em 1994, o estado não
transferiu de todos os funcionários, para que os imóveis retornassem ao
patrimônio público. Deputado federal e ex-prefeito de Angra dos Reis, Fernando
Jordão (PMDB) intermedia as negociações entre moradores e governo. Agora, ele
quer se encontrar com o governador Sérgio Cabral para pedir a implementação do
programa Minha Casa Minha Vida na região.
— Os moradores são
pessoas humildes. Estão lá há mais de 50 anos e que não têm condições de pagar
aluguéis tão altos. Estão em pânico — diz ele."
Fonte: Jornal O Globo
Nota do Blog:
Acho que vai sobrar para a Vila Dois Rios!